Meu futuro namorado,
Onde quer que estejas agora e seja quem for quem tu procuras, aviso-te já que nunca serei tarefa fácil. Primeiro porque, ao inicio, tenho a mania de complicar as coisas e de ser muito pouco explicita quanto aquilo que quero. Terás de recorrer a artes mágicas de adivinhação bem como a um estudo aprofundado das minhas expressões faciais se quiseres perceber o que eu sinto. E terás de ser dotado de uma grande dose de coragem para persistires quando não fizeres ideia do que estou a pensar. Posso parecer bastante dura e decidida mas no fundo tenho um coração de manteiga que se derrete com muito pouco, há que saber dar-me a volta. E às vezes basta uma piada no momento certo ou um comentário provocador para me dar a referida volta. Tudo com moderação, senão pode não correr bem.
À parte isto, e porque não quero assustar-te à partida, há muita pouca coisa que tenha a pedir-te. Saberás logo o quanto gosto de dançar e se isso não é definitivamente a tua praia escusas de vir comigo para a discoteca servir de bengaleiro (para o copo, claro). Compreende apenas que isso me faz muito bem. E quanto às minhas aulas, finge interesse quando te contar entusiasmada os meus progressos, caso contrário ficarei muito amuada. Quanto aos teus amigos, por favor não os abandones, não lhes dês demasiadas tampas e apresenta-mos o mais cedo possível. O que mais detesto são amigos ressentidos e namorados colas. Tenta evitar as vossas piadas porcas no início do namoro porque pode pôr-me em dúvida, depois já nada me afectará. Quanto aos meus amigos, estás proibido de ter ciúmes dos meus amigos rapazes e queria (mesmo!) muito que os adorasses rapidamente; e quanto às raparigas sê o mais cordial possível, mas não abuses, percebe primeiro com quem estás a lidar. Tens de aceitar as minhas atitudes extremamente lamechas e maternais com eles e aturar as minhas indignações. Nunca demonstres estar cansado de me ouvir.
Quanto à minha mãe, se ela te adorar, vai desdobrar-se em sorrisos sempre que te vir, se não gostar, vai-me dar na cabeça o tempo todo. Não sei bem o que tens de fazer para a contentar, mas lembra-te quando os teus pais te obrigavam a seres simpático com os teus avôs e nunca resmungares, e faz mais ou menos igual.
Quanto a mim, especificamente, há algo que tens que aprender o mais rápido que conseguires: se estou perturbada há três atitudes possíveis a tomar. Insistires para que te conte e ouvires-me enquanto desabafo, dares-me espaço e falares-me de coisas banais que me possam distrair ou mandares uma piada ou teres uma tirada romântica e encheres-me de beijinhos em seguida. O que tens de aprender é qual destas três opções seguires de cada vez que não te pareço bem. Boa sorte! Além disso, percebe que só não vou fazer por ti o que não puder e que fujo com frequência a confrontos, apesar de achar as discussões saudáveis. Discute comigo sempre que te apetecer.
O que me faz feliz? Muito daquilo que te fizer. Acho que juntos encontraremos o que nos faz feliz, porque numa relação não deve ser valorizado o eu e o tu.
O mais importante de tudo? Não quero saber se és mais alto ou mais baixo do que eu, se estás prestes a ser um doutor ou se a escola não é para ti, se te mexes lindamente ou se és um pé de chumbo, se queres ser pai ou não suportas crianças, etc, etc. Por muito que me preocupe com isso agora, quanto te encontrar não me vai importar. Apenas vou querer saber se o meu coração bate mais forte quando chegas e se navego para outra dimensão quando me dás a mão.