terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Secret Smile

Provei a loucura contigo. Vi as amarras do bom senso serem cortadas, vi a bolha do politicamente correcto rebentar, vi o mundo mover-se de forma distorcida à tua volta. No turbilhão que invadiu a tua vida vi a única preocupação da minha vida. Tu perdeste a cabeça e eu perdi a minha a tentar salvar a tua. Depois Já não sabia quem precisava de salvação.

Mais tarde caí eu numa espiral de loucura poço abaixo, mas no fundo quando é que não somos loucos?

Ninguém sabe mas tens um sorriso secreto e usa-lo apenas para mim.

Quem é que salvou quem quando a loucura nos tomou? Estamos salvas agora?

Ninguém sabe mas tens um sorriso secreto e usa-lo apenas para mim.

Consumo-me de preocupação a cada passo que dás e a cada momento de raiva corresponde um momento de revelação. Estás entranhada em cada pedaço meu. Vivo de ti.

Ninguém sabe mas tens um sorriso secreto e usa-lo apenas para mim.

Cada momento que vivo, vivo também por ti. Se és a minha Pessoa em que momento nos dissociamos?

Ninguém sabe mas tens um sorriso secreto e usa-lo apenas para mim.

Perdi o momento em que tudo começou. Que sentido tem procura-lo se me parece que vivemos juntas toda a vida?

Se vimos o pior que podíamos ver uma na outra como poderíamos continuar se não estivéssemos estado sempre juntas?

Ninguém sabe mas tens um sorriso secreto e usa-lo apenas para mim.

E ninguém sabe que és louca e que eu sou louca.

Ninguém sabe mas tens um sorriso secreto e usa-lo apenas para mim.

Então usa-o. Preciso de me ver sorrir de novo.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Romantismo e outras considerações

Romântica? Às vezes duvido que realmente o sou. Talvez porque não acredito no amor à primeira vista.

Não acredito que alguém me faça contar a minha vida toda apenas com um olhar. Não acredito em toda aquela visão idílica de como é fácil apaixonarmo-nos e em como dois segundos podemos encontrar o amor da nossa vida. Muito sinceramente, adoraria que assim fosse. E tal como nos poemas ficar deslumbrada com o simples passar de um rapaz com quem nunca falei. Gostava de encontrar semelhanças em um agradável rapaz por quem passei na rua… mas o que sempre soube é que o amor não é fácil. Por isso não acredito na versão simplista do amor à primeira vista. O meu amor não é a primeira vista, nem à 2ª nem 3ª nem mesmo a 10ª e se calhar nem à vista é. Ao contrário de todas as românticas afortunadas eu preciso de várias conversas desinteressantes até encontrar alguma que me surpreende. E não, um dia não resolve um assunto. Talvez seja demasiado racional, como já me disseram. Não duvido que seja verdade. Porém não imagino partilhar a minha vida com um estranho bem-parecido. Namorar é uma mistura complexa entre as nossas hormonas e a nossa necessidade de ter um companheiro na nossa vida. Alguém que nos compreenda, alguém que nos mostre o mundo. E isto não é oferecido necessariamente por quem nos faz subir os calores. Desculpem mas a realidade é esta: ficamos com alguém por aquilo que nos transmite e por aquilo que partilhamos com ela, não porque tem um sorriso fantástico. O sorriso torna-se fantástico depois de ela entrar na tua vida e terá um brilho diferente para ti do que para qualquer outro ser humano. E isso sim é especial. A avassaladora onda de felicidade e duvida que invade a tua vida. Demoras a saber se é a pessoa certa. Cada passo inicial é dado como se fôssemos um bebé a descobrir o mundo para além do berço. Ninguém pode ter a certeza ao início. Isso é outra ideia romântica que nunca compreenderei. Como é que o amor pode dar tantas certezas a alguém? Como podes saber exactamente onde começou e onde acabou? Com tantas dúvidas talvez não acreditem na romântica que sou. Mas sou-o. Acredito que o amor pode realmente mudar alguém e que é a coisa mais bonita que alguém já sentiu. E acredito que é avassalador, imenso, incontrolável. O mundo muda de configuração quando amas e os opostos já não te parecem assim tão opostos e as semelhanças surgem de recantos esquecidos nos quais nunca reparaste. De repente, as pessoas têm outro brilho e o tempo outra orbita quando estas com ele/a.

Eu acredito em isso tudo, mas não acredito que seja completamente ao acaso. E não acredito nos poemas e nos romances em que surgem príncipe encantados a cavalo. Eles nunca aparecem assim, eles transformam-se no momento em que lhes abres a porta.

domingo, 11 de outubro de 2009

Feels like home

Se parares para pensar, o que é a tua casa? O que a constitui para que a identifiques como a tua casa? Nos inúmeros momentos da vida em que não queres parar em casa porque é que voltar sabe sempre tão bem? No fundo, porque é que todos precisamos de um sitio ao qual chamar casa?
Penso que uma das coisas mais importantes é a segurança. Aquele sentimento de reconhecimento mútuo entre ti e o teu sofá, entre o teu corpo e a curvatura do teu colchão, entre a tua varanda e os teus momentos de solidão. Parece que tudo foi feito à tua medida e que cada peça da tua casa tem um lugar e significado na tua vida. No fundo, é como um puzzle, cada peça tem que estar exactamente naquele lugar e posição e mesmo que não repares nela, se ela não estivesse exactamente onde deveria estar tu notavas a diferença. É estranho reparar nesta importância da tua casa, mas se não fosse assim que sentido teria a vida? Para onde deverias voltar sempre que partisses? Não ter um porto onde atracar não será das coisas mais assustadoras do mundo?
Todos os dias volto para casa à procura do conforto do meu quarto. Mas o mais importante é olhar para a porta mesmo ao lado da minha e ver aquele ser agarrado ao comando. Às vezes o dia faz sentido só e por todo esse momento. Amo-o como nunca saberei amar mais nada nem ninguém. Corre-me nas veias o seu cheiro, a sua voz, o seu respirar à noite, o seu grito de dor. Corre-me nas veias os seus erros mais comuns, as suas inseguranças, a sua sede de crescer. É indissociável da minha condição de viver. Para qualquer lado que vou arde-me sempre nas veias a responsabilidade, a protecção, o carinho; e tenho de voltar. Para mim a minha casa será sempre o sítio onde ele estiver, ou melhor, o sítio onde poderei encontra-lo e sossegar o meu coração. Casa é o espaço onde crescemos juntos, onde eu lhe ensinei a falar, onde eu lhe apresentei o mundo, onde nós conquistamos uma relação. Casa será sempre o espaço, real ou imaginário, onde estamos juntos. O que é uma casa afinal se só tiver paredes e coisas, sem pessoas, sem ele? É apenas um local, um amontoado de possíveis peças de algum puzzle.
És tu que completas o meu puzzle, meu irmão.

domingo, 6 de setembro de 2009

Carta ao meu futuro namorado

Meu futuro namorado,
Onde quer que estejas agora e seja quem for quem tu procuras, aviso-te já que nunca serei tarefa fácil. Primeiro porque, ao inicio, tenho a mania de complicar as coisas e de ser muito pouco explicita quanto aquilo que quero. Terás de recorrer a artes mágicas de adivinhação bem como a um estudo aprofundado das minhas expressões faciais se quiseres perceber o que eu sinto. E terás de ser dotado de uma grande dose de coragem para persistires quando não fizeres ideia do que estou a pensar. Posso parecer bastante dura e decidida mas no fundo tenho um coração de manteiga que se derrete com muito pouco, há que saber dar-me a volta. E às vezes basta uma piada no momento certo ou um comentário provocador para me dar a referida volta. Tudo com moderação, senão pode não correr bem.
À parte isto, e porque não quero assustar-te à partida, há muita pouca coisa que tenha a pedir-te. Saberás logo o quanto gosto de dançar e se isso não é definitivamente a tua praia escusas de vir comigo para a discoteca servir de bengaleiro (para o copo, claro). Compreende apenas que isso me faz muito bem. E quanto às minhas aulas, finge interesse quando te contar entusiasmada os meus progressos, caso contrário ficarei muito amuada. Quanto aos teus amigos, por favor não os abandones, não lhes dês demasiadas tampas e apresenta-mos o mais cedo possível. O que mais detesto são amigos ressentidos e namorados colas. Tenta evitar as vossas piadas porcas no início do namoro porque pode pôr-me em dúvida, depois já nada me afectará. Quanto aos meus amigos, estás proibido de ter ciúmes dos meus amigos rapazes e queria (mesmo!) muito que os adorasses rapidamente; e quanto às raparigas sê o mais cordial possível, mas não abuses, percebe primeiro com quem estás a lidar. Tens de aceitar as minhas atitudes extremamente lamechas e maternais com eles e aturar as minhas indignações. Nunca demonstres estar cansado de me ouvir.
Quanto à minha mãe, se ela te adorar, vai desdobrar-se em sorrisos sempre que te vir, se não gostar, vai-me dar na cabeça o tempo todo. Não sei bem o que tens de fazer para a contentar, mas lembra-te quando os teus pais te obrigavam a seres simpático com os teus avôs e nunca resmungares, e faz mais ou menos igual.
Quanto a mim, especificamente, há algo que tens que aprender o mais rápido que conseguires: se estou perturbada há três atitudes possíveis a tomar. Insistires para que te conte e ouvires-me enquanto desabafo, dares-me espaço e falares-me de coisas banais que me possam distrair ou mandares uma piada ou teres uma tirada romântica e encheres-me de beijinhos em seguida. O que tens de aprender é qual destas três opções seguires de cada vez que não te pareço bem. Boa sorte! Além disso, percebe que só não vou fazer por ti o que não puder e que fujo com frequência a confrontos, apesar de achar as discussões saudáveis. Discute comigo sempre que te apetecer.
O que me faz feliz? Muito daquilo que te fizer. Acho que juntos encontraremos o que nos faz feliz, porque numa relação não deve ser valorizado o eu e o tu.
O mais importante de tudo? Não quero saber se és mais alto ou mais baixo do que eu, se estás prestes a ser um doutor ou se a escola não é para ti, se te mexes lindamente ou se és um pé de chumbo, se queres ser pai ou não suportas crianças, etc, etc. Por muito que me preocupe com isso agora, quanto te encontrar não me vai importar. Apenas vou querer saber se o meu coração bate mais forte quando chegas e se navego para outra dimensão quando me dás a mão.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

É Verão e eu cresci!

Doce encanto em que sorris. Mentes? Navego na tua imensidão tentando juntar as peças do teu puzzle. A cada peça que junto pareces-me subir mais e mais em direcção a um qualquer céu estrelado onde te possas sentir entre iguais. Queria eu, na minha singular concha imperfeita, compreender a tua visão desfocada do meu mundo construído a fita métrica. Queria que fizesses um pouco mais de sentido ou então que não deitasses por terra o meu dominó perfeitamente alinhado.
Não caminhamos pelo mesmo passeio, e nem encontramos os mesmos rostos ocasionais, por vezes duradouros. Porém, nunca ninguém me tinha feito arregalar os olhos e aventurar-me por um mar impreciso da mesma maneira que tu. Nem sentar-me no recanto mais seguro e inalterável e sentir-me inquieta e mudada. Fazes parte do tempo em que eu cresci. Fazes parte da atmosfera em que tomei consciência que a minha velha jornada tinha terminado. Fazes parte do mundo que atingi como adulta. E apesar disso, estás tão longínquo e inacessível como aquela nuvem ao largo da costa. Pertences a um sonho que se esfuma cada vez que tento tocá-lo, pertences a uma frequência diferente, tens um qualquer halo perfeito a proteger-te da banalidade. E eu sinto-me pequena, diferente, estranha, como se fosse uma injustiça sentir o teu olhar queimar-me suavemente e deixar-me tonta, descontrolada, como se dançasse no meio da praia sem ninguém me ver. Desafiaste tudo aquilo que era, todas as verdades em fundamento e nunca mais poderei voltar aquele dia em que te vi pela primeira vez e te achei pequeno, diferente, estranho, e voltar a ser a mesma menina. Cresci dois metros sempre que te tive por perto. Estive ao teu lado em tantos locais. E mesmo assim olho para cima e não te consigo atingir. Sou tão pequena.

sábado, 15 de agosto de 2009

É Verão e eu estou curada!

Sinto as ondas nas pontinhas dos pés. Arrepiam-me. Vêm e vão como se me desafiassem. Querem algo. Talvez que tome uma atitude e as persiga ou que desista de vez e volte para a toalha. Não, acho mesmo que me estão a convidar a entrar, para me subirem pelas pernas, entre os pelinhos eriçados. Quando finalmente mergulho, é uma sensação tal de conforto. Conforto e desafio. Qualquer dia solto as amarras e vou com vocês. Qualquer dia sustenho a respiração, fecho os olhos e só os abro do outro lado do Atlântico. Nas minhas costas a terra que deixei para trás e já não consigo avistar, longe, longe, completamente esbatida.
Não vou ter saudades de nada, vou apenas pisar território desconhecido.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A minha turma

"Hoje o 11º1 está aqui, feliz e orgulhoso do ano que ultrapassou com tanto trabalho, e preparado para todas as barreiras que tenhamos que ultrapassar. Estamos aqui também para receber com todo o carinho e amizade a turma do 10º1 que deu aquele passo gigante para o secundário que nenhum de nos pensou que fosse tão grande. Ao 12º1 temos que enviar um grande obrigado pela maneira que nos recebeu e apoiou o ano passado e desejar-lhes toda a sorte do mundo neste ano tão importante nas suas vidas. O que a turma 11º1 realmente deseja é que todos alcancem os seus sonhos!
E falamos em sonho, porque é no sonho que este projecto tem a sua essência. È por um sonho que cada um dos alunos presentes nesta sala se aventurou neste projecto, quer o sonho seja ter media 19, tirar o curso de medicina ou simplesmente ser um aluno melhor do que se foi até este momento.
Queremos falar especialmente para os alunos do 10º1 porque é a eles que nos sentimos na posição de aconselhar. Não vai ser fácil, mas têm dentro de vocês a força que precisam para enfrentar as dificuldades, têm em vocês o poder de lutarem e se esforçarem por aquilo que querem e têm em todas estas pessoas que vos rodeiam, professores e alunos das outras turmas, o apoio que necessitam. Levem as coisas com calma, procurem ajuda para os problemas, organizem-se desde o início. Não deixem de se divertirem, de terem tempo para vocês mesmos, mas nunca encarem a escola como um fardo difícil. Queremos dizer-vos ainda para apostarem muito na união da vossa turma porque foi isso que tanto caracterizou a nossa e que tornou o 10º ano inesquecivelmente feliz para nós. O vosso colega do lado pode ser o vosso maior aliado. E por favor, tentem superar apenas uma pessoa: vocês mesmos.
Não podemos deixar passar este momento sem agradecer a todos os nossos professores pelo apoio e dedicação à nossa turma. Fizeram muito mais do que a vossa obrigação, deram-nos lições de vida. Por favor nunca deixem de acreditar em nós, porque vamos fazer tudo para que se orgulhem de nós. Cada um a seu jeito, com a sua personalidade, é especial para nós. E queríamos frisar, aquele professor responsável, trabalhador, exigente, amigo, compreensivo, que esteve sempre ao nosso lado, que esteve sempre disponível e que este ano é o nosso director de turma. Uma salva de palmas para o professor Joaquim Fontoura, um grande obrigado, é para nós uma grande felicidade tê-lo como exemplo.
Para terminar, um óptimo ano para todos, com os desejos de muito sucesso!"

Texto da abertura do ano lectivo 2007/2008

Espero que a turma nunca se esqueça destas palavras!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Carta de motivação - Universidade Itinerante do Mar

É difícil escrever uma carta de motivação para um projecto pelo qual sempre ansiei. É difícil porque há tanto a dizer e tanta motivação que as palavras acumulam-se e têm tendência a baralharem-se.
Primeiro de tudo, vou candidatar-me ao curso de ciências do meio aquático no instituto ciências biomédicas Abel Salazar no próximo ano lectivo. Esta candidatura é o resultado de anos e anos desejando dedicar-me à investigação na vertente marinha. A fauna marinha em si constitui um enorme fascínio para mim. Sinto que ainda há tanto a descobrir, tanto a investigar. Há locais no mundo ainda tão remotos, ainda tão desconhecidos. Investigar no sentido de atingir o conhecimento, de entendermos o nosso meio ambiente, os seres que fazem parte dele, é fundamental. Porém, considero que nos dias de hoje é essencial investigar para preservar. É essencial compreender o impacto da acção humana no ambiente marinho e tratar de minimizá-la. Aos cientistas é-lhes dado uma oportunidade única: a hipótese de compreender o mundo à sua volta e assim, compreender o que podem e o que não podem fazer, o que têm nas suas mãos para ajudar esse grande ecossistema. Não podem de maneira nenhuma ignorar essa oportunidade. A minha ânsia é ter acesso a essa oportunidade e levá-la aos limites. Tenho toda uma vida à minha frente para me dedicar ao estudo das espécies marinhas, à sua protecção e à procura de uma sintonia real entre a espécie humana e as outras espécies.
Tenho trabalhado desde sempre para poder tornar-me uma cientista à altura desse desafio. Tudo o que preciso é de uma oportunidade para aprender, para descobrir o caminho a seguir. Não pretendo que esta viagem seja apenas um passeio, que a minha licenciatura seja apenas uma ponte para um emprego, como nunca pretendi estudar o suficiente apenas para transitar de ano. Ao ser humano é dada a capacidade de sonhar e essa capacidade é das mais valiosas que podemos ter. Eu sonho fazer parte de uma comunidade que trabalha em conjunto, que reúne esforços para construir um mundo melhor e em harmonia com a natureza.
Desejo avidamente que esta viagem me permita muitos contactos diferentes, com pessoas e realidades diferentes, e muitas aprendizagens diferentes, que podem ser o trabalho em grupo, o navegar num barco ou um conhecimento científico mais aprofundado. Sempre me esforcei por poder tornar-me uma cientista com “C” maiúsculo. Quero que me dêem uma oportunidade para consegui-lo, para contactar com pessoas que já o são ou estão no caminho para sê-lo.
Penso que é extremamente interessante na “Universidade Itinerante do Mar”a vertente prática, ligada à navegação e ao trabalho a bordo. É essencial para quem pretende trabalhar nesta área e fomenta o trabalho em equipa. Estou realmente disponível para aprender sobre isso e dedicar-me a essa tarefa.
Considero ainda que a ligação com Espanha, neste caso com a Universidade de Oviedo, é uma mais-valia porque a ciência não tem sentido sem o intercâmbio de saberes, de descobertas. A ciência hoje não tem fronteiras, deve expandir-se e atingir todos quanto puder. Além disso, tive um curso de três anos de espanhol e penso ter as competências para comunicar durante a estadia nas cidades espanholas.
Considero esta iniciativa magnífica e fascinou-me desde a primeira vez que li algo sobre ela. Penso que os cursos anteriores foram um enorme sucesso e era um sonho e um orgulho imenso fazer parte deste projecto.

domingo, 28 de junho de 2009

Não sou capaz, ouviram?

É fácil. É como um sopro de vento, um sorriso ao de leve. Devia ser simples porque vem do coração. Do meu, que eu deveria conhecer bem. Sou tão errada… sou tão ao contrário do que deveria ser. Complico este e aquele momento, esta e aquela hora, para evitar algo tão simples como verdadeiro: não somos perfeitos. E na minha imperfeição sofro todos os dias. Não por ela, nela. Nela porque tudo o que eu faço é para contrariá-la. Estou sempre contra ela, a cada passo, lutando vigorosamente para ignorá-la. E vivo nela. E erro vezes sem conta, porque quero fazer tudo bem e não sou capaz. Não sou capaz, ouviram? O que eu queria realmente era fazer tudo errado. Dizer bem alto o que não devia, correr quando devia estar quieta, e ver cada cara de choque. Era o que mereciam. Ou melhor, era o que eu merecia. Para variar, vou falar-vos do que eu merecia: Ser Livre. Merecia deixar-vos pendurados, não vos ouvir as lamentações, não querer saber das vossas desculpas, não ser a vossa mãezinha de serviço. Era o que eu merecia, agora, neste momento. E se estivesse a dizê-lo, estava a gritar, a olhar-vos nos olhos. (Escrever é sempre muito mais correcto, tal como eu) Parem um momento e entendam, não sou de ferro. Às vezes farto-me. Às vezes estou cansada. E a novidade do ano: eu tenho vida própria! Que agradável surpresa…
Eu não combino com isto. Com a raiva reprimida. Não há nada que me chateie muito tempo, por outro lado, há coisas que me magoam muito, por muito tempo. Gostava de ser um bocadinho mais feliz, se o permitissem, (Bem, já chega de vos culpar) eu gostava de ser um bocadinho mais feliz, se eu o permitisse. Feliz sozinha, com dois, com três. Feliz ao acordar cedo de manhã, ao apanhar chuva à tarde. Aquela chuva a bater-me na cara, rebelde. Como gostava de arriscar mais contigo… Como gostava de ser forte e dizer-te tantas e tantas coisas que nunca perceberás…
Raio de vida. Incapacidade e cobardia minha…

Normalidade

Pergunto-me se alguma vez será normal. Se alguma vez será fluido, simples, natural. Se será como um dia fresco de Verão ou uma qualquer paisagem distante. A pergunta é se algum dia não me trarás tantas recordações, tantos sentimentos difusos, tantas palpitações. É difícil ser-se normal junto do teu ex-grande-amor. O que será a normalidade num caso desses? Complicada, de certeza. Encontrares um equilíbrio entre os desejos reprimidos, os sonhos desfeitos, o futuro retomado, será alguma vez realmente possível? Anseio por esse dia, por essa realidade que não sei se alguma vez existirá. Tenho de lutar constantemente para definir entre o príncipe encantado e o senhor do mal que foste, aquilo que és hoje. Quero ver-te com olhos de ver. Quero perceber aquilo que tu és sem os meus olhos apaixonados e embaciados. Quero que sejas real, boa ou má, quero a tua imagem leal. Não me quero iludir mais, não quero ter falsas esperanças, não quero mudar-te nem comandar-te o futuro. Quero apenas observar-te. Da minha concha, quero apreender-te com suavidade, com a destreza de quem já te conhece tão bem, mas ainda tem algo a descobrir. Que angustia viver à espera que o tempo passe… que angustia não ter por onde fugir, um atalho por onde escapar. Podes alguma vez tratar-me como eu sou? Agora? Sem pensar no passado, sem acrescentar um comentário carregado de anos de convivência?
Ah, como eu gostava de atingir a normalidade… sermos eu e tu sem o passado a pesar-nos, a rir-nos de tudo, sem termos que medir as palavras e os gestos.
Mas por que é que o tempo não passa?