É difícil escrever uma carta de motivação para um projecto pelo qual sempre ansiei. É difícil porque há tanto a dizer e tanta motivação que as palavras acumulam-se e têm tendência a baralharem-se.
Primeiro de tudo, vou candidatar-me ao curso de ciências do meio aquático no instituto ciências biomédicas Abel Salazar no próximo ano lectivo. Esta candidatura é o resultado de anos e anos desejando dedicar-me à investigação na vertente marinha. A fauna marinha em si constitui um enorme fascínio para mim. Sinto que ainda há tanto a descobrir, tanto a investigar. Há locais no mundo ainda tão remotos, ainda tão desconhecidos. Investigar no sentido de atingir o conhecimento, de entendermos o nosso meio ambiente, os seres que fazem parte dele, é fundamental. Porém, considero que nos dias de hoje é essencial investigar para preservar. É essencial compreender o impacto da acção humana no ambiente marinho e tratar de minimizá-la. Aos cientistas é-lhes dado uma oportunidade única: a hipótese de compreender o mundo à sua volta e assim, compreender o que podem e o que não podem fazer, o que têm nas suas mãos para ajudar esse grande ecossistema. Não podem de maneira nenhuma ignorar essa oportunidade. A minha ânsia é ter acesso a essa oportunidade e levá-la aos limites. Tenho toda uma vida à minha frente para me dedicar ao estudo das espécies marinhas, à sua protecção e à procura de uma sintonia real entre a espécie humana e as outras espécies.
Tenho trabalhado desde sempre para poder tornar-me uma cientista à altura desse desafio. Tudo o que preciso é de uma oportunidade para aprender, para descobrir o caminho a seguir. Não pretendo que esta viagem seja apenas um passeio, que a minha licenciatura seja apenas uma ponte para um emprego, como nunca pretendi estudar o suficiente apenas para transitar de ano. Ao ser humano é dada a capacidade de sonhar e essa capacidade é das mais valiosas que podemos ter. Eu sonho fazer parte de uma comunidade que trabalha em conjunto, que reúne esforços para construir um mundo melhor e em harmonia com a natureza.
Desejo avidamente que esta viagem me permita muitos contactos diferentes, com pessoas e realidades diferentes, e muitas aprendizagens diferentes, que podem ser o trabalho em grupo, o navegar num barco ou um conhecimento científico mais aprofundado. Sempre me esforcei por poder tornar-me uma cientista com “C” maiúsculo. Quero que me dêem uma oportunidade para consegui-lo, para contactar com pessoas que já o são ou estão no caminho para sê-lo.
Penso que é extremamente interessante na “Universidade Itinerante do Mar”a vertente prática, ligada à navegação e ao trabalho a bordo. É essencial para quem pretende trabalhar nesta área e fomenta o trabalho em equipa. Estou realmente disponível para aprender sobre isso e dedicar-me a essa tarefa.
Considero ainda que a ligação com Espanha, neste caso com a Universidade de Oviedo, é uma mais-valia porque a ciência não tem sentido sem o intercâmbio de saberes, de descobertas. A ciência hoje não tem fronteiras, deve expandir-se e atingir todos quanto puder. Além disso, tive um curso de três anos de espanhol e penso ter as competências para comunicar durante a estadia nas cidades espanholas.
Considero esta iniciativa magnífica e fascinou-me desde a primeira vez que li algo sobre ela. Penso que os cursos anteriores foram um enorme sucesso e era um sonho e um orgulho imenso fazer parte deste projecto.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Eu não chorei :)
ResponderEliminarMas babei-me :b