Doce encanto em que sorris. Mentes? Navego na tua imensidão tentando juntar as peças do teu puzzle. A cada peça que junto pareces-me subir mais e mais em direcção a um qualquer céu estrelado onde te possas sentir entre iguais. Queria eu, na minha singular concha imperfeita, compreender a tua visão desfocada do meu mundo construído a fita métrica. Queria que fizesses um pouco mais de sentido ou então que não deitasses por terra o meu dominó perfeitamente alinhado.
Não caminhamos pelo mesmo passeio, e nem encontramos os mesmos rostos ocasionais, por vezes duradouros. Porém, nunca ninguém me tinha feito arregalar os olhos e aventurar-me por um mar impreciso da mesma maneira que tu. Nem sentar-me no recanto mais seguro e inalterável e sentir-me inquieta e mudada. Fazes parte do tempo em que eu cresci. Fazes parte da atmosfera em que tomei consciência que a minha velha jornada tinha terminado. Fazes parte do mundo que atingi como adulta. E apesar disso, estás tão longínquo e inacessível como aquela nuvem ao largo da costa. Pertences a um sonho que se esfuma cada vez que tento tocá-lo, pertences a uma frequência diferente, tens um qualquer halo perfeito a proteger-te da banalidade. E eu sinto-me pequena, diferente, estranha, como se fosse uma injustiça sentir o teu olhar queimar-me suavemente e deixar-me tonta, descontrolada, como se dançasse no meio da praia sem ninguém me ver. Desafiaste tudo aquilo que era, todas as verdades em fundamento e nunca mais poderei voltar aquele dia em que te vi pela primeira vez e te achei pequeno, diferente, estranho, e voltar a ser a mesma menina. Cresci dois metros sempre que te tive por perto. Estive ao teu lado em tantos locais. E mesmo assim olho para cima e não te consigo atingir. Sou tão pequena.
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