Romântica? Às vezes duvido que realmente o sou. Talvez porque não acredito no amor à primeira vista.
Não acredito que alguém me faça contar a minha vida toda apenas com um olhar. Não acredito em toda aquela visão idílica de como é fácil apaixonarmo-nos e em como dois segundos podemos encontrar o amor da nossa vida. Muito sinceramente, adoraria que assim fosse. E tal como nos poemas ficar deslumbrada com o simples passar de um rapaz com quem nunca falei. Gostava de encontrar semelhanças em um agradável rapaz por quem passei na rua… mas o que sempre soube é que o amor não é fácil. Por isso não acredito na versão simplista do amor à primeira vista. O meu amor não é a primeira vista, nem à 2ª nem 3ª nem mesmo a 10ª e se calhar nem à vista é. Ao contrário de todas as românticas afortunadas eu preciso de várias conversas desinteressantes até encontrar alguma que me surpreende. E não, um dia não resolve um assunto. Talvez seja demasiado racional, como já me disseram. Não duvido que seja verdade. Porém não imagino partilhar a minha vida com um estranho bem-parecido. Namorar é uma mistura complexa entre as nossas hormonas e a nossa necessidade de ter um companheiro na nossa vida. Alguém que nos compreenda, alguém que nos mostre o mundo. E isto não é oferecido necessariamente por quem nos faz subir os calores. Desculpem mas a realidade é esta: ficamos com alguém por aquilo que nos transmite e por aquilo que partilhamos com ela, não porque tem um sorriso fantástico. O sorriso torna-se fantástico depois de ela entrar na tua vida e terá um brilho diferente para ti do que para qualquer outro ser humano. E isso sim é especial. A avassaladora onda de felicidade e duvida que invade a tua vida. Demoras a saber se é a pessoa certa. Cada passo inicial é dado como se fôssemos um bebé a descobrir o mundo para além do berço. Ninguém pode ter a certeza ao início. Isso é outra ideia romântica que nunca compreenderei. Como é que o amor pode dar tantas certezas a alguém? Como podes saber exactamente onde começou e onde acabou? Com tantas dúvidas talvez não acreditem na romântica que sou. Mas sou-o. Acredito que o amor pode realmente mudar alguém e que é a coisa mais bonita que alguém já sentiu. E acredito que é avassalador, imenso, incontrolável. O mundo muda de configuração quando amas e os opostos já não te parecem assim tão opostos e as semelhanças surgem de recantos esquecidos nos quais nunca reparaste. De repente, as pessoas têm outro brilho e o tempo outra orbita quando estas com ele/a.
Eu acredito em isso tudo, mas não acredito que seja completamente ao acaso. E não acredito nos poemas e nos romances em que surgem príncipe encantados a cavalo. Eles nunca aparecem assim, eles transformam-se no momento em que lhes abres a porta.
O Amor, no sentido literal da palavra, está-se a perder no meio da sociedade. As pessoas já não acreditam nele. Algumas já não o procuram e aquelas que o procuram já não o encontram.
ResponderEliminarO Amor à primeira vista não existe. Não se chama de Amor, mas sim de reacção física e química (pela parte hormonal). O Amor constrói-se com o tempo e com as vivências. É difícil de encontrar a pessoa ideal para o construir, mas quando a encontramos é a "coisa" mais bela que se pode ter/sentir/viver. Essa pessoa não pode ter só "um sorriso fantástico"... Essa pessoa tem de te ensinar coisas novas, de te poder mostrar o mundo à maneira dela, de te tornar melhor, de te fazer evoluir. E tu tens de compreender a maneira de ela ver o mundo, de lhe ensinar outras coisas novas, de a tornar melhor e de a fazer evoluir. Amor é algo recíproco. É algo inexplicável a altamente subjectivo, a dois, claro. Amor é poder confiar na pessoa com quem tu o partilhas. É, também, a pessoa em questão poder confiar em ti. Amor é tudo isto e muito mais. É um dos melhores sentimentos do mundo.
O pior é quando a mente controla o coração e não deixa o Amor voar mais alto...