Olho-te com cuidado, de novo. Perece que se não olhar com tanta delicadeza e demora te vais esvanecer. Como um sonho. Como um sonho emerso da profundidade dos meus mais íntimos desejos.
De que cor são os teus olhos?
Os teus olhos são da cor da esperança. Fazem-me acreditar em um qualquer significado cósmico, inatingível do amor. Fazem-me acreditar que não há uma razão; um motivo lógico e bem estudado para o tanto que os teus olhos brilham na minha presença. E para o tanto que a minha pele se arrepia ao teu toque. E para o enorme rodopio em que descubro as borboletas do meu estômago sempre que te declaras. Tu fazes parte do meu imaginário. Fazes parte dos desejos de criança ou então não tens nada a ver com o que alguma vez desejei que fosses. Tens tudo a ver com aquilo que desejo sentir, longe do tempo, lugar ou situação apropriada. És exactamente igual ao que eu desejo hoje, no nosso presente, longe dos clichés e do que deveria ser. Longe dos pormenores ou insignificâncias. Hoje és aquilo que desejo. Hoje és aquilo que preciso. Não quero saber da tua disponibilidade horária, do momento em que chegaste, de quem já magoaste antes. No mais natural e espontâneo de mim tu és a perfeita metade que me faltava, tu és quem tenho andado a evitar por me sentir incapaz de senti-lo. Hoje, aquilo que realmente sou espera ansiosamente por ver-te sorrir de novo e dar-me a mão com firmeza. Hoje apenas quero saber da vontade de estar ao teu lado. E da vontade de pertencer à tua vida. Hoje, somos apenas nós, eu e tu, a construir o nosso caminho.
De que cor são os teus olhos?
Os teus olhos são da cor do inesperado, do desconhecido. São da cor do futuro incerto, do caminho a percorrer.
De que cor são os teus olhos?
Olhei de novo a tentar perceber. Acho que coincidem com a cor da minha alma. Sim, tenho quase a certeza disso.
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