domingo, 10 de janeiro de 2010
O lado de lá da porta
E não é que às vezes resolve?
Um dia a tua casa está totalmente remodelada e encontraste a felicidade novamente e tens coragem de abrir a porta e ver como ele se safou. Ou então ele já viveu muitas coisas novas e encontrou de novo a felicidade e abre a porta com curiosidade em saber como te safaste. E então estão de novo frente a frente, sem a porta, e tudo parece bem. Olhas para ele e ficas impressionada com as diferenças: ele cortou o cabelo (- Não te disse sempre que ficava melhor mais comprido?), conta novas aventuras (- Mas agora andas à porrada?) e fala de novas pessoas (- Já vão fazer 6 meses?). E no fim percebes que ele continua igual: deixa cair as luvas sem dar conta (mas és sempre tão distraído?) e quando pegas nelas percebes que são umas que lhe deste já há muito tempo. Nunca deixei a vida dele nem ele deixou a minha, estivemos só de cada lado de uma porta à espera que o tempo passasse e nos levasse a paixão, a revolta, os sonhos desfeitos, a teimosia e deixasse apenas aquilo que temos de mais valioso e sincero: a nossa amizade.
As pessoas que amamos nunca deixam realmente a nossa vida. E o amor que sentimos por elas nunca se esgota, transforma-se. E os problemas que tiveste com elas são sempre ultrapassáveis. E há sempre um dia em que acordas e percebes que por muito que as pessoas que amas mudem, nunca deixam de ser as tuas pessoas e pertencer ao teu dia-a-dia. Afinal nunca vão mais longe do que o lado de lá da tua porta.
Em memória do dia em que olhei para ti e senti uma enorme paz ao sentir que reencontrei um velho amigo. Que afinal nunca saiu do lado de lá da porta.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
De que cor são os teus olhos?
Olho-te com cuidado, de novo. Perece que se não olhar com tanta delicadeza e demora te vais esvanecer. Como um sonho. Como um sonho emerso da profundidade dos meus mais íntimos desejos.
De que cor são os teus olhos?
Os teus olhos são da cor da esperança. Fazem-me acreditar em um qualquer significado cósmico, inatingível do amor. Fazem-me acreditar que não há uma razão; um motivo lógico e bem estudado para o tanto que os teus olhos brilham na minha presença. E para o tanto que a minha pele se arrepia ao teu toque. E para o enorme rodopio em que descubro as borboletas do meu estômago sempre que te declaras. Tu fazes parte do meu imaginário. Fazes parte dos desejos de criança ou então não tens nada a ver com o que alguma vez desejei que fosses. Tens tudo a ver com aquilo que desejo sentir, longe do tempo, lugar ou situação apropriada. És exactamente igual ao que eu desejo hoje, no nosso presente, longe dos clichés e do que deveria ser. Longe dos pormenores ou insignificâncias. Hoje és aquilo que desejo. Hoje és aquilo que preciso. Não quero saber da tua disponibilidade horária, do momento em que chegaste, de quem já magoaste antes. No mais natural e espontâneo de mim tu és a perfeita metade que me faltava, tu és quem tenho andado a evitar por me sentir incapaz de senti-lo. Hoje, aquilo que realmente sou espera ansiosamente por ver-te sorrir de novo e dar-me a mão com firmeza. Hoje apenas quero saber da vontade de estar ao teu lado. E da vontade de pertencer à tua vida. Hoje, somos apenas nós, eu e tu, a construir o nosso caminho.
De que cor são os teus olhos?
Os teus olhos são da cor do inesperado, do desconhecido. São da cor do futuro incerto, do caminho a percorrer.
De que cor são os teus olhos?
Olhei de novo a tentar perceber. Acho que coincidem com a cor da minha alma. Sim, tenho quase a certeza disso.