É fácil. É como um sopro de vento, um sorriso ao de leve. Devia ser simples porque vem do coração. Do meu, que eu deveria conhecer bem. Sou tão errada… sou tão ao contrário do que deveria ser. Complico este e aquele momento, esta e aquela hora, para evitar algo tão simples como verdadeiro: não somos perfeitos. E na minha imperfeição sofro todos os dias. Não por ela, nela. Nela porque tudo o que eu faço é para contrariá-la. Estou sempre contra ela, a cada passo, lutando vigorosamente para ignorá-la. E vivo nela. E erro vezes sem conta, porque quero fazer tudo bem e não sou capaz. Não sou capaz, ouviram? O que eu queria realmente era fazer tudo errado. Dizer bem alto o que não devia, correr quando devia estar quieta, e ver cada cara de choque. Era o que mereciam. Ou melhor, era o que eu merecia. Para variar, vou falar-vos do que eu merecia: Ser Livre. Merecia deixar-vos pendurados, não vos ouvir as lamentações, não querer saber das vossas desculpas, não ser a vossa mãezinha de serviço. Era o que eu merecia, agora, neste momento. E se estivesse a dizê-lo, estava a gritar, a olhar-vos nos olhos. (Escrever é sempre muito mais correcto, tal como eu) Parem um momento e entendam, não sou de ferro. Às vezes farto-me. Às vezes estou cansada. E a novidade do ano: eu tenho vida própria! Que agradável surpresa…
Eu não combino com isto. Com a raiva reprimida. Não há nada que me chateie muito tempo, por outro lado, há coisas que me magoam muito, por muito tempo. Gostava de ser um bocadinho mais feliz, se o permitissem, (Bem, já chega de vos culpar) eu gostava de ser um bocadinho mais feliz, se eu o permitisse. Feliz sozinha, com dois, com três. Feliz ao acordar cedo de manhã, ao apanhar chuva à tarde. Aquela chuva a bater-me na cara, rebelde. Como gostava de arriscar mais contigo… Como gostava de ser forte e dizer-te tantas e tantas coisas que nunca perceberás…
Raio de vida. Incapacidade e cobardia minha…
domingo, 28 de junho de 2009
Normalidade
Pergunto-me se alguma vez será normal. Se alguma vez será fluido, simples, natural. Se será como um dia fresco de Verão ou uma qualquer paisagem distante. A pergunta é se algum dia não me trarás tantas recordações, tantos sentimentos difusos, tantas palpitações. É difícil ser-se normal junto do teu ex-grande-amor. O que será a normalidade num caso desses? Complicada, de certeza. Encontrares um equilíbrio entre os desejos reprimidos, os sonhos desfeitos, o futuro retomado, será alguma vez realmente possível? Anseio por esse dia, por essa realidade que não sei se alguma vez existirá. Tenho de lutar constantemente para definir entre o príncipe encantado e o senhor do mal que foste, aquilo que és hoje. Quero ver-te com olhos de ver. Quero perceber aquilo que tu és sem os meus olhos apaixonados e embaciados. Quero que sejas real, boa ou má, quero a tua imagem leal. Não me quero iludir mais, não quero ter falsas esperanças, não quero mudar-te nem comandar-te o futuro. Quero apenas observar-te. Da minha concha, quero apreender-te com suavidade, com a destreza de quem já te conhece tão bem, mas ainda tem algo a descobrir. Que angustia viver à espera que o tempo passe… que angustia não ter por onde fugir, um atalho por onde escapar. Podes alguma vez tratar-me como eu sou? Agora? Sem pensar no passado, sem acrescentar um comentário carregado de anos de convivência?
Ah, como eu gostava de atingir a normalidade… sermos eu e tu sem o passado a pesar-nos, a rir-nos de tudo, sem termos que medir as palavras e os gestos.
Mas por que é que o tempo não passa?
Ah, como eu gostava de atingir a normalidade… sermos eu e tu sem o passado a pesar-nos, a rir-nos de tudo, sem termos que medir as palavras e os gestos.
Mas por que é que o tempo não passa?
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